CRISE, PECADO E OPRESSÃO NO RIO DE JANEIRO PÓS-OLÍMPICO.

on sexta-feira, 18 de maio de 2018
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*Publicado na Revista "Por Trás da Palavra" do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) de Novembro/Dezembro de 2017, Ano 35, nº 332.
Se existe um exemplo emblemático de toda a crise política, econômica e social no Brasil, de fato é o Rio de Janeiro (tanto a cidade quanto o Estado). O Rio de Janeiro viveu recentemente a euforia da Copa do Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016), grandes eventos internacionais que porém pouco ou nenhum benefício deixaram para o seu povo, mas deixaram muitas mazelas como legado contra o povo mais humilde: “Os justos levam em conta os direitos dos pobres, mas os ímpios nem se importam com isso.” (Provérbios 29:7).
No preparativo para tais eventos já era nítido a quem os governos estavam servindo e que não era ao povo mais humilde e sim ao capital especulativo. De fato não é possível servir a Deus e ao dinheiro (Lucas 16:13) e nossos governantes, bem como as elites que os sustentam, não tardaram a escolher o seu lado. A política de remoções de comunidades carentes para abrir espaço para a especulação imobiliária, que parecia sepultada na tenebrosa era Lacerda, foi a tônica dos preparativos com várias comunidades sofrendo com os despejos: Vila Autódromo, Asa Branca, …
A especulação imobiliária, o problema da concentração das terras e casas nas mãos de poucas pessoas, que acabam empurrando os mais pobres para localidades mais distantes visando atender os interesses das classes privilegiadas, já era denunciada pelos profetas bíblicos: “Ai dos que ajuntam casas e mais casas, dos que acrescentam um campo a outro, até que não haja mais onde alguém possa erguer sua casa, e eles se tornem os senhores absolutos da terra!” (Isaías 5:8).
Tanto a remoção não privilegiava o povo, como não era necessária, que com muita luta alguns moradores da Vila Autódromo conseguiram continuar a morar no mesmo local. Igualmente, nota-se que não era apenas por conta dos grandes eventos, já que após os mesmos, o fantasma das remoções retorna quando a prefeitura ameaça remover os moradores da comunidade do Rio das Pedras (comunidade humilde que fica ao lado áreas nobres da capital fluminense como o Itanhangá, Alto da Boa Vista e Barra da Tijuca).
Falando em lutas, desde as jornadas de protesto em 2013, passando pela luta dos moradores contra as remoções, a luta dos servidores públicos para receberem os seus salários, as lutas contra os leilões do pré-sal e tantas outras, a resposta das autoridades é sempre a mesma: repressão. A violência contra o povo se viu em um nível alarmante, protestos pacíficos foram reprimidos com um sadismo assustador, a violência era a arma para tentar calar o povo (sempre foi, não é atoa que seguimos o Cristo crucificado com seus discípulos martirizados pelo grande Império), não é atoa que diz a Bíblia: “Como um leão que ruge ou um urso feroz é o ímpio que governa um povo necessitado.” (Provérbios 28:15).
Como resultado do pós-olimpíadas, além de obras faraônicas subaproveitadas como a vila dos atletas na Ilha Pura (que continua sem uso), o Centro Olímpico subaproveitado, sistemas de transportes mal planejados (ou melhor, planejados de acordo com os interesses das empresas e não com os interesses do povo), vieram as notícias que todos já sabíamos: os esquemas de corrupção (alguns ligados a realização dos eventos) e os gastos exorbitantes com estruturas desnecessárias levou a falência econômica do Estado do Rio de Janeiro e uma forte crise na capital do mesmo.
Com a crise, os governos novamente optaram por cortar gastos, porém não fizeram o corte no uso indevido do dinheiro público, e sim resolveram realizar cortes nos repasses para a saúde, educação e outras áreas, chegando a cortar o salário dos servidores estaduais que estão a meses sem receber o que lhes era devido. Meses sem salário, sem o sustento, levando a muitos servidores passarem fome, serem despejados e passarem por várias outras situações terríveis, alguns inclusive morreram nesse período por problemas de saúde que possivelmente foram agravados por todo o estresse e necessidades gerados pela falta do sustento mais elementar para si e para os seus, como no provérbio bíblico: “Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme” (Provérbios 29:2).
Enquanto os servidores amargam meses sem receber o seu sustento e o povo amarga a falta de serviços públicos dos mais básicos, o Estado do Rio de Janeiro tem seus 3 últimos governadores presos por envolvimento em escândalos de corrupção, vivendo vidas de luxo as custas do sangue e do suor do povo de Deus, além deles secretários e deputados se encontram na mesma situação (e olha que vários colegas deputados continuaram tentando manter os corruptos livres, enquanto mandavam a polícia para reprimir o povo que protestava contra os absurdos), de fato, parece-nos que o apóstolo Tiago escreveu para o nosso Estado e seus líderes:
Ouçam agora vocês, ricos opressores! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a miséria que lhes sobrevirá. A riqueza de vocês apodreceu, e as traças corroeram as suas roupas. O ouro e a prata de vocês enferrujaram, e a ferrugem deles testemunhará contra vocês e como fogo lhes devorará a carne. Vocês acumularam bens nestes últimos dias. Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que por vocês foi retido com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Vocês viveram luxuosamente na terra, desfrutando prazeres, e fartaram-se de comida em dia de abate. Vocês têm condenado e matado o justo, sem que ele ofereça resistência.” (Tiago 5:1-6)
Como nas diversas crises relatadas nas Escrituras, que tiveram o pecado e a maldade como origem, Deus levantou profetas no meio de seu povo, Deus está nos chamando para denunciarmos tudo o que está ocorrendo em nossa terra e com o nosso povo. Que Deus tenha misericórdia de nós todos. Amém.

Por Professor Morôni Azevedo de Vasconcellos
Professor de geografia, teólogo, especialista em geografia do Brasil, mestre em educação e postulante ao ministério ordenado na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.



MANIFESTO SOBRE A ATUAL CONJUNTURA DO RIO DE JANEIRO

on quarta-feira, 16 de maio de 2018
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
Conselho Diocesano
Rio de Janeiro, 04 de Dezembro de 2017


MANIFESTO SOBRE A ATUAL CONJUNTURA DO RIO DE JANEIRO


Os justos levam em conta os direitos dos pobres, mas os ímpios nem se importam com isso.” (Provérbios 29:7).


Nós, membros do Conselho Diocesano da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, em conjunto com nosso bispo diocesano, Dom Eduardo Coelho Grillo, vimos por meio deste, nos manifestar sobre a conjuntura política, econômica e social vivenciada pelo Estado do Rio de Janeiro e pela Cidade do Rio de Janeiro, confiantes que estamos assim, cumprindo uma pequena parte do papel profético que Deus nos comissionou, ao nos opormos aos males que estão causando tanto sofrimento ao povo de nossa cidade e de nosso Estado.
O Rio de Janeiro vivencia uma crise sem precedentes em sua história, crise esta, justamente no cenário pós Olimpíadas e Copa do Mundo, grandes eventos que foram realizados sob a lógica do lucro dos poderosos e não do bem-estar do povo em geral. Esses eventos, associados com um histórico de má gestão e pouco espírito republicano remetem ao cenário atual, onde os que mais sofrem é justamente o povo mais humilde, que vê negado o seu acesso aos serviços mais essenciais como saúde, educação, segurança e moradia.
Todos pudemos acompanhar estarrecidos, a uma recente votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), na qual os senhores deputados optaram por libertar seus colegas envolvidos em tantos escândalos de corrupção, passando por cima de toda a investigação realizada e da decisão do judiciário sobre o tema. A votação, cujo resultado era por si só lamentável, demonstrou claramente que os interesses dos governantes se afastaram completamente dos interesses do povo que os elegeu.
Foi coadjuvada por cenas lamentáveis de repressão brutal para com manifestações populares pacíficas, e, até de tentativas de impedir que o povo pudesse acompanhar a votação das galerias, muito embora com determinação judicial para que assim o fosse. Tudo isso, amplamente divulgado pela imprensa.
Ressalta-se que, este não foi o primeiro nem o único problema que nosso Estado tem enfrentado. Antes, acompanhamos a heróica resistência dos servidores públicos estaduais que estiveram com meses de salário atrasado, bem como, sem receber o seu décimo terceiro. Esses servidores, são alvo constante de propagandas na mídia em prol de reformas como a da previdência, que visam apenas massacrar ainda mais o povo trabalhador e sobre a qual a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil já emitiu nota contrária a mesma.
Os servidores estaduais, muitas vezes, estão pagando para trabalhar e não deixar a população desassistida. Tem pagado a conta que não é deles.
Incompreensível é que, o mesmo governo que alega não ter recursos para pagar tais servidores, abre mão de inúmeras receitas importantes em favor de determinadas empresas que devem fortunas ao Estado.
Soma-se a tudo isto em nossa cidade e em nosso Estado, os recentes escândalos que vieram à tona relativamente às denúncias das relações promíscuas entre o alto escalão dos governos e as empresas de transporte público. O tema é de extrema sensibilidade em um Estado e em uma Cidade com sua mobilidade tão cara, ineficaz e que quase nunca é planejada visando os interesses dos usuários - os trabalhadores.
Enquanto os servidores amargam meses sem receber o seu sustento e o povo amarga a falta de serviços públicos dos mais básicos, o Estado do Rio de Janeiro tem seus 3 últimos governadores presos por envolvimento em escândalos de corrupção, vivendo abastadamente e com luxo, as custas do sangue e do suor do povo de Deus.
Além dos citados governadores, existem secretários e deputados que se encontram na mesma situação, tornando atual a advertência bíblica:
Ouçam agora vocês, ricos opressores! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a miséria que lhes sobrevirá. A riqueza de vocês apodreceu, e as traças corroeram as suas roupas. O ouro e a prata de vocês enferrujaram, e a ferrugem deles testemunhará contra vocês e como fogo lhes devorará a carne. Vocês acumularam bens nestes últimos dias. Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que por vocês foi retido com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Vocês viveram luxuosamente na terra, desfrutando prazeres, e fartaram-se de comida em dia de abate. Vocês têm condenado e matado o justo, sem que ele ofereça resistência.” (Tiago 5:1-6)
No município do Rio de Janeiro, vemos também diversos problemas. O primeiro deles está na condução da saúde pública municipal, com diversos cortes e sem revisar algumas políticas que já se mostraram ineficazes (como a adoção das OSs com todos os escândalos que já foram fartamente denunciados pela imprensa).
Outro problema que vem assolando a nossa cidade é o retorno do fantasma das remoções, a política fracassada de remoções de comunidades que já parecia sepultada em um passado remoto, foi retomada com toda a força durante a preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, o que por si só já seria demasiadamente infeliz.
Esclareça-se que, a mesma política de remoções parece se intensificar, vez que, a comunidade de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, vem sofrendo com constantes ameaças, sendo tais ameaças, monitoradas por nossa missão naquele local.
Declaramos neste Manifesto o nosso repúdio contra as autoridades que são os responsáveis do sofrimento deste povo que não consegue atendimento no sistema de saúde público já precarizado, que não está protegido por uma política pública de segurança que contemple os interesses de todos, que não tem acesso a escolas públicas de qualidade e que nem recebem a justa remuneração pelos seus serviços prestados para o conjunto da sociedade.
Solidarizamo-nos com a população fluminense e carioca, como companheiros de luta na certeza de que a paz que tanto almejamos será fruto da justiça, a qual estamos aqui proclamando como parte do ministério que Cristo, nosso Senhor, nos outorgou.
Que o Cristo libertador fortaleça as lutas populares na defesa de seus direitos, e ilumine àqueles que as lideram nos anseios por justiça e paz.
Reverendo Bernardino Ovelar Arzamendia
Reverendo Antonio Terto Lima
Reverendo Daniel Rangel Cabral
Eliane Bacelar
Julio Reis Simões
Morôni Azevedo de Vasconcellos
CONSELHO DIOCESANO


Dom Eduardo Coelho Grillo

Thanos (Vingadores: Guerra Infinita): Um vilão (neo)malthusiano.

on sábado, 12 de maio de 2018
Recentemente pude ver o filme Vingadores: Guerra Infinita e percebi (não só como fã da Marvel) que o filme tem um grande potencial para ser trabalhado de forma educativa, especialmente por professores de geografia ao discutirem as teorias demográficas.

O grande vilão do filme se chama Thanos e ele deseja "salvar o universo" de uma forma bem equivocada: eliminando metade da população para reencontrar um suposto equilíbrio. Basicamente, Thanos veio de um planeta (Titan) que ele acredita que foi destruído pela falta de recursos para atender a toda a sua população.

O vilão Thanos

Por incrível que pareça, existiram (e existem) muitos Thanos na vida real. De certa forma, o primeiro deles foi Thomas Malthus que desenvolveu a chamada teoria malthusiana na qual considerava que a produção de alimentos crescia sempre em um ritmo menor do que a população conseguia crescer. Por exemplo:

Produção de Alimentos -> 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, ... (Progressão Aritmética)

População -> 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, ... (Progressão Geométrica)

Malthus entendia que as guerras, fome e pestes eram formas naturais de controle do crescimento populacional e a sua proposta para conter o suposto problema da super-população seria simplesmente a abstinência sexual dos mais pobres. Thanos ainda tenta ser "justo" em eliminar pobres e ricos igualmente, mas ainda vê na eliminação de pessoas a solução para o problema.

Proudhon sempre nos lembra a chocante frase de Malthus para apontar os problemas da economia política e muitas das soluções dadas para os problemas da pobreza (e o suposto problema populacional):
"... Um homem que nasce em um mundo já ocupado, se sua família não possui meios de alimentá-lo, ou se a sociedade não tem precisão de seu trabalho, este homem eu digo, não tem o menor direito de reclamar uma porção qualquer de alimento: ele está em demasia sobre a terra. No grande banquete da natureza, não há lugar para ele. A natureza ordena-lhe que se vá e não tardará ela mesma a colocar tal ordem em execução..." (Thomas Malthus em Ensaio sobre o Princípio da População, conforme citado pro Proudhon em Filosofia da Miséria).

O "vilão" Malthus.
Evidentemente, considerando os avanços tecnológicos e alguns outros progressos na sociedade, a produção de alimentos em si não é um problema nos dias atuais, o que não impede que os discípulos de Malthus tenham buscado atualizar a teoria do mestre, podemos dividir eles principalmente em dois grupos (essa divisão nem sempre é pacífica e geralmente ambos se confundem entre si): neomalthusianos (entendem que o problema é a escassez de recursos econômicos) e os ecomalthusianos (entendem que o problema é a escassez de recursos naturais).

Esses discípulos de Malthus parecem lembrar bastante o vilão Thanos, embora as soluções apresentadas por eles geralmente estejam focadas no planejamento familiar, podendo por vezes se apresentar de forma mais "bonita e civilizada" com a ideia de conscientização ou uma forma mais truculenta com a defesa de métodos abortivos, eliminação de pessoas tidas como "desnecessárias" e etc. Sempre que vemos alguém relacionando ideias como a do aborto ou a de não se desperdiçar recursos com prisioneiros e outras pessoas "desnecessárias", se a pessoa relacionar estas ideias com algum problema de excesso de pessoas no mundo e o quanto isso supostamente contribui para a fome/miséria/violência/colapso ambiental, então teremos um pensamento nitidamente neomalthusiano/ecomalthusiano.

Thanos tem sido considerado por muitos um vilão carismático, esse carisma não se dá tanto por algo do personagem em si, mas pelo simples fato de que o discurso (neo/eco) malthusiano está impregnado em nossa sociedade e portanto as pessoas começam a considerar que o vilão "tem alguma razão". Veja que Thanos se preocupa em conseguir as jóias do infinito não para achar meios de evitar qualquer possível escassez, aumentar a produção, proteger os recursos, ele apenas quer usar elas para a "solução fácil" de eliminar as pessoas que eram "desnecessárias".

Se houver alguma dúvida sobre a presença do discurso neomalthusiano na nossa sociedade, basta olharmos quantas pessoas ainda acreditam que o problema do mundo está em uma superpopulação (mesmo que em muitos países o crescimento vegetativo esteja caindo) e que seria ela a responsável por produzir a pobreza, desconsiderando ou subestimando a má distribuição de renda e ordem social vigente.

O discurso ambientalista atual está muitas vezes repleto de ecomalthusianismo ao achar que o pela crise ambiental é o excesso de pessoas e não apenas a forma como a sociedade se relaciona com os recursos naturais, explorando os mesmos de forma irracional. A influência malthusiana é tão grande que não é raro vermos pessoas que se consideram de esquerda ou socialistas reproduzindo o discurso neomalthusiano por mais que conflite com suas próprias teorias políticas e econômicas. Lembram que eu já apontei o fato de o anarquista/socialista Proudhon ter tecido críticas ao pensamento malthusiano.

Sim, vale a pena a utilização do filme Vingadores: Guerra Infinita com fins didáticos, servindo como possibilidade de refletirmos sobre os perigos do discurso malthusiano (ou discursos derivados), bem como para podermos usar como parâmetro comparativo para facilitar aos estudantes que identifiquem os argumentos centrais de um discurso demográfico:
Se um argumento estiver mais parecido com o pensamento de Thanos, provavelmente será uma retórica influenciada pelo pensamento (neo/eco)malthusiano, se o argumento analisado se parecer mais com a frase do Capitão América (repetida pelo Visão) no filme de "não negociamos vidas", então já teremos algo fora da influência malthusiana.


A maldade humana

on quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Os tempos estão difíceis e ninguém nos enganou de que seriam fáceis. A maldade humana está por todos os lados, nos políticos corruptos, nos discursos de ódio, nos atentados terroristas, no queimar crianças e funcionários de uma creche, na violência urbana.

Jesus chorou e ainda chora ao ver a depravação humana. Deus se incomoda com o pecado do mundo não por ele "ferir o ego de um ser majestoso", mas por saber que o salário do pecado é a morte, saber que o resultado do pecado é ruim para os próprios seres humanos. São eles que sangram nos atentados e nos hospitais sem médicos, são eles que queimam nas creches, são eles que estão nas ruas morrendo de fome e frio, que estão sendo expulsos de casa por puro preconceito e incompreensão.

Um místico luterano (Jacob Boehme) dizia que Lúcifer incentivava o pecado como inveja, ele havia se desgraçado e portanto queria fazer outros sentirem o mesmo mal que ele sofreu por sua culpa. O mal, o pecado, não é bom para a própria humanidade. Tudo correria muito bem se as pessoas seguissem os caminhos do Senhor, que ele não demarcou por vaidade e sim por ser o melhor para todos. Se todos seguissem o mandamento do amor, então veríamos os reinos da terra serem transformados nos reinos do céu.

Jesus chorou, mas não desistiu e suportou de tudo, inclusive a dura e infamante cruz que lhe impuseram os maus. Sim, pois só perseverando é que alcançamos a ressurreição.

Oremos por Janaúba, por Las Vegas e por todo o mundo. Afinal, onde houver sofrimento causado pela maldade, lá estarão as lágrimas de Cristo. Que Deus receba nos braços amorosos da sua graça as vítimas que e foram, que derrame o seu Espírito Santo para auxiliar na recuperação das que ficaram e no consolo deles e dos entes queridos de todos e o Cristo que silenciou a tempestade, também silencie os gritos dos maus, acalme os corações, mude a tenebrosa tempestade interior em bonança pela conversão total do ser humano. Amém!

A crueldade da ANVISA com os cosmeticos artesanais.

on segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Já faz um tempo desde a última vez que usei o blog para postar algo, ultimamente tenho usado a própria fan page para fazer as postagens, porém vou tratar de um tema que já queria tratar faz algum tempo e acabei sempre deixando passar: quando a intervenção estatal pode ser feita de forma desastrosa.

De antemão eu aviso que não me tornei um liberalzão, mesmo considerando minha profissão alternativa de comerciante (clique aqui para saber mais), mas é imperativo reconhecer que algumas intervenções estatais atrapalham mais do que ajudam. E antes que falem que estou apenas advogando em causa própria, já aviso que o seotr de transportes era um setor que o Estado poderia deixar livre para quem quiser fornecer esse serviço por contra própria (muitas lotadas, até de longas distâncias  já prestam um serviço melhor que o das empresas monopolistas ("concessões" que alguns negam ser uma privatização).

Vamos lá,mrecentemente comecei a trabalhar revendendo cosméticos veganos e empolgado com isso, acabei indo procurar produtores artesanais de cosméticos pensando em vender os seus produtos. Porém, me deu um estalo na mente para procurar a legislação em vigor sobre e me espantei, pois a legislação trata o cosmético caseiro como o industrial, ou seja os gastos e a burocracia para registrar e poder produzir um produto artesanal simples é o mesmo que o dos cosméticos das grandes indústrias multinacionais. 

Claro que não faltam vendedores de tais cosméticos agindo na ilegalidade, inocentemente acreditando que a legislação não os restringe e correndo o risco de serem punidos por seu trabalho. Tal situação sufoca o pequeno produtor e deixa o mercado nas mão dos grandes produtores. Claro que cosméticos precisam ter um controle para evitar problemas de saúde para a população e a ANVISA deve fiscalizar isso, mas poderia tudo ser feito de forma menos onerosa para o pequeno e menos burocrática.

"1.3.5. Cosméticos artesanais
A regularização dos cosméticos produzidos artesanalmente é a mesma dos cosméticos industrializados, ou seja, se tiverem a finalidade de comercialização, deverão seguir as mesmas regras de registro, notificação ou comunicação prévia.
É importante destacar que pessoas físicas não poderão regularizar cosméticos. Somente poderão registrar, notificar ou comunicar produtos cosméticos a empresa (pessoa jurídica) que tenha Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) junto à Anvisa."

http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/anvisa/transparencia/!ut/p/c4/04_SB8K8xLLM9MSSzPy8xBz9CP0os3hTQwNfRydDRwN_N2cjA08XVzOPUF-PIGdvI_2CbEdFALBfe1Q!/?urile=wcm%3Apath%3A/anvisa+portal/anvisa/trasparencia/assunto+de+interesse/publicacoes+transparencia/faq+-+perguntas+frequentes/cosmeticos+-+informacoes+gerais

Sim meus amigos, seria possível garantir a segurança desses produtos sem travar o pequeno produtor artesanal, que poderia estar empreendendo para sobreviver nessa atual crise, mas infelizmente a legislação acaba inviabilizando que novos produtos cheguem ao mercado e roubem a fatia dos grandes produtores.

Infelizmente, o mesmo Estado que exige demais em certas áreas, permite uma verdadeira farra em outras nas quais ele deveria se fazer presente.

É oficial: Estamos em uma ditadura do politicamente correto dos "justiceiros sociais".

on sábado, 1 de agosto de 2015
Depois do caso em que Levy Fidélix foi multado em 1.000.000 de reais por dizer que "aparelho excretor não reproduz" e ter sido condenado como homofóbico com isso (talvez por acharem que casais heterossexuais não praticam sexo anal e que ainda sim não conseguem se reproduzir de tal forma), sendo que tal multa foi mal recebida entre pessoas que sempre defenderam a causa LGBT (como eu mesmo sempre defendi) e até o PCO escreveu um excelente texto sobre:

http://www.pco.org.br/nacional/multa-de-1-milhao-e-mais-um-duro-atentado-a-liberdade-de-expressao/apzy,y.html

Recentemente, uma agência esportiva, fez uma promoção em que quem fizesse a melhor foto de torcida ganharia uma camisa autografada por um jogador daquele time. A imagem ganhadora mostrava um rapaz torcendo em casa para seu time e com uma mulher do time adversário amarrada durante o jogo... Pessoas em pleno gozo de suas capacidades mentais verão a velha provocação entre torcidas, talvez se a pessoa for um pouco mais sensível poderia criticar a violência entre torcidas, mas criticaram o que? MACHISMO! Acreditem... Agora briga de torcidas se tornou machismo na cabeça doentia de alguns "justiceiros sociais"... Freud explica toda essa sexualidade reprimida dessas pessoas....

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150729_salasocial_concurso_foto_tg.shtml?ocid=socialflow_facebook

Isso é fruto de uma corrente pós-moderna, anti-científica, que tomou conta de muitos movimentos sociais e jogando no lixo toda a tradição destes movimentos (os grandes clássicos do socialismo, da esquerda e dos próprios movimentos) dizem que opressão é subjetiva e sendo assim opressão se torna sinônimo de simplesmente não gostar... Muito diferente da crítica tradicional da esquerda contra a exploração do proletariado ou outros fenômenos claramente definidos (independente de se concordar ou não com eles).

Deveríamos avisar aos organizadores de festas sadomasoquistas que eles não podem permitir que mulheres sejam amarradas, nem negros, nem homossexuais, nem nada... Iniciamos uma ditadura moralista, repressora e verdadeiramente reacionária...

Até quem for o mais ferrenho anti-stalinista vai ter que concordar que esses mimizeiros desocupados estão precisando ir para um Gulag para pararem com essa bobagem toda...

Desperdício: Trens da SuperVia leiloados como sucata!

on sábado, 25 de julho de 2015
Recebi recentemente, através da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária, um e-mail de grande relevância do sr. Antonio Pastori e vou usar meu blog para ajudar na divulgação desta mensagem:

Prezado Secretário Osório,

Tenho recebido dezenas de e-mails de pessoas, e entidades preservacionistas, indignadas com o leilão de trens da Supervia, autorizados pelo Estado.

Indignados porque esse material foi considerado - erroneamente! - como inservível e será vendido a preço de sucata de ferro.

Ledo engano, pois essas "velhas caixas metálicas com rodas de metal", tem durabilidade secular (que o diga os Ingleses, com seus tesouros ferroviários preservados e em operação até hoje)  e podem ter serventia mais nobre antes de serem irremediavelmente picotas pelo maçarico.

Saiba, senhor Secretário, que uma das maiores dificuldades para implantação de dezenas de projetos de TTR-Trens Turísticos e Regionais, assim como projetos culturais, é a falta de material rodante. E o Governo do Estado está contribuindo para o agravamento desta dificuldade.

Para reforçar os argumentos acima, solicito a leitura do pequeno artigo abaixo.

At//

Antonio Pastori 

Trem velho não é sucata; é cultura e educação, por Antonio Pastori (*)


Mais um pouco da memória ferroviária do Estado do Rio vai desaparecer em breve. Cerca de 97 vagões, ou melhor, carros de passageiros das décadas de 60, 70 e 80, vão ser leiloados até o final de julho/2015 pela SETRANS - Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro.
Esses carros serviram por muitos anos aos passageiros dos trens de subúrbio do Rio em momentos distintos operados por empresas distintas: Central do Brasil, CBTU, Flumitrens e Supervia. Um dos motivos de leilão é que, além do obsolescência do material rodante, os carros estão ocupando grandes espaços nos depósitos da Supervia em São Diogo e Deodoro, que precisam ser liberados para receber novos trens. Uma pena que após prestarem relevantes serviços tenham fim tão medíocre: virar sucata.

Não pense o leitor que trata-se de saudosismo piégas, pois esses carros poderiam ser reformados/adaptados para uso mais nobre, como por exemplo, bibliotecas, salas de educação para cursos de informática, oficinas de artesanato, escolinha de música, carpintaria, anfiteatro, café cultural, museu ferroviário, ponto de informações turística e mais uma dezena de usos - cadeia pública -, em face a enorme durabilidade, solidez e resistência ao tempo das suas caixas de ferro e aço, permitindo que durem ainda mais de meio século, mesmo se expostas ao tempo.

Segundo o Governo do Estado, os recursos arrecadados deverão ser reaplicados em melhorias no sistema de trilhos do Estado, o que será muito pouco vis a vis às demandas de investimentos bilionários que o modal ferroviário requer. O que será arrecadado nos leilões será muito pouco, pois cada carro pesa entre 15 e 20 toneladas e será vendido a preço de sucata de ferro (R$ 0,70/kg). 

Em suma, o que Estado deve arrecadar com a venda dos 97 carros deve ser inferior a um milhão de reais, quantia essa de pouca valia ao atual sistema ferroviário da RMRJ-Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Trata-se, portanto, de uma gota d'água no oceano.

Seria  muito importante que a SETRANS reservasse alguns desses carros  para uso mais nobre, conforme antes exemplificado nas fotos abaixo. 

Após reforma, seriam utilizados como Centro de Informações Turísticas e/ou Centro Cultural para preservação da memória ferroviária em cidades do Estado do Rio

Fica aqui a nossa sugestão na esperança de a ideia seja acolhida. Mas é preciso correr, pois o leilão deverá acontecer daqui há algumas semanas.


(*) pesquisador ferroviário e Vice-Presidente da AFPF-Associação Fluminense de Preservação Ferroviária Mestre em Economia e pós graduando em Eng. Ferroviária