Desperdício: Trens da SuperVia leiloados como sucata!

on sábado, 25 de julho de 2015
Recebi recentemente, através da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária, um e-mail de grande relevância do sr. Antonio Pastori e vou usar meu blog para ajudar na divulgação desta mensagem:

Prezado Secretário Osório,

Tenho recebido dezenas de e-mails de pessoas, e entidades preservacionistas, indignadas com o leilão de trens da Supervia, autorizados pelo Estado.

Indignados porque esse material foi considerado - erroneamente! - como inservível e será vendido a preço de sucata de ferro.

Ledo engano, pois essas "velhas caixas metálicas com rodas de metal", tem durabilidade secular (que o diga os Ingleses, com seus tesouros ferroviários preservados e em operação até hoje)  e podem ter serventia mais nobre antes de serem irremediavelmente picotas pelo maçarico.

Saiba, senhor Secretário, que uma das maiores dificuldades para implantação de dezenas de projetos de TTR-Trens Turísticos e Regionais, assim como projetos culturais, é a falta de material rodante. E o Governo do Estado está contribuindo para o agravamento desta dificuldade.

Para reforçar os argumentos acima, solicito a leitura do pequeno artigo abaixo.

At//

Antonio Pastori 

Trem velho não é sucata; é cultura e educação, por Antonio Pastori (*)


Mais um pouco da memória ferroviária do Estado do Rio vai desaparecer em breve. Cerca de 97 vagões, ou melhor, carros de passageiros das décadas de 60, 70 e 80, vão ser leiloados até o final de julho/2015 pela SETRANS - Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro.
Esses carros serviram por muitos anos aos passageiros dos trens de subúrbio do Rio em momentos distintos operados por empresas distintas: Central do Brasil, CBTU, Flumitrens e Supervia. Um dos motivos de leilão é que, além do obsolescência do material rodante, os carros estão ocupando grandes espaços nos depósitos da Supervia em São Diogo e Deodoro, que precisam ser liberados para receber novos trens. Uma pena que após prestarem relevantes serviços tenham fim tão medíocre: virar sucata.

Não pense o leitor que trata-se de saudosismo piégas, pois esses carros poderiam ser reformados/adaptados para uso mais nobre, como por exemplo, bibliotecas, salas de educação para cursos de informática, oficinas de artesanato, escolinha de música, carpintaria, anfiteatro, café cultural, museu ferroviário, ponto de informações turística e mais uma dezena de usos - cadeia pública -, em face a enorme durabilidade, solidez e resistência ao tempo das suas caixas de ferro e aço, permitindo que durem ainda mais de meio século, mesmo se expostas ao tempo.

Segundo o Governo do Estado, os recursos arrecadados deverão ser reaplicados em melhorias no sistema de trilhos do Estado, o que será muito pouco vis a vis às demandas de investimentos bilionários que o modal ferroviário requer. O que será arrecadado nos leilões será muito pouco, pois cada carro pesa entre 15 e 20 toneladas e será vendido a preço de sucata de ferro (R$ 0,70/kg). 

Em suma, o que Estado deve arrecadar com a venda dos 97 carros deve ser inferior a um milhão de reais, quantia essa de pouca valia ao atual sistema ferroviário da RMRJ-Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Trata-se, portanto, de uma gota d'água no oceano.

Seria  muito importante que a SETRANS reservasse alguns desses carros  para uso mais nobre, conforme antes exemplificado nas fotos abaixo. 

Após reforma, seriam utilizados como Centro de Informações Turísticas e/ou Centro Cultural para preservação da memória ferroviária em cidades do Estado do Rio

Fica aqui a nossa sugestão na esperança de a ideia seja acolhida. Mas é preciso correr, pois o leilão deverá acontecer daqui há algumas semanas.


(*) pesquisador ferroviário e Vice-Presidente da AFPF-Associação Fluminense de Preservação Ferroviária Mestre em Economia e pós graduando em Eng. Ferroviária

















3 comentários:

Antonio Pastori disse...

valeu, obg pela divulgação

Antonio Pastori disse...

valeu, obg pela divulgação

Morôni Azevedo de Vasconcellos disse...

Disponha Antonio,
Sou um entusiasta do trabalho de vocês da AFPF, apesar de por motivos pessoais e profissionais não ter como auxiliar muito.

Abraços

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